domingo, 9 de outubro de 2011

Cada um sabe o que sente

Todos dormem. Talvez sonhem. E eu já acordada. Muito cedo para uma manhã de domingo. Mas adoro ouvir o silêncio que ouço agora. Somente os pássaros cantando e o barulho das teclas quando digito. Aos domingos eu queria muito dormir o dia todo, só acordar na segunda, e repetir isso todos os domingos. O dia de domingo pra mim é deprimente. Eu detesto. Antigamente eu amava os domingos. Quando minha família saía, ia se divertir, da menor forma que fosse. Mas igualar os domingos há dias semanais é algo estranho. O dia de domingo já é um dia estranho, é como se fosse um dia especial, pra você sair, se divertir, descansar, ou até mesmo se divertir em casa. Descansar não dá, porque em nenhum momento eu me canso. Os domingos são iguais as segundas, que são iguais as terças e assim sucessivamente. Meus dias são sempre iguais.
Hoje é dia de ver os casaizinhos irem tomar sorvete, saírem pela cidade procurando o que fazer para quem tem sogra, ir almoçar na casa da sogra. Pra quem não tem nada disso, fica esperando a morte da bezerra em casa. Tentando procurar alguma coisa legal na TV. E o que mais da raiva, é que não tem. Nada que preste. Exatamente nada de interessante pra ver. Ouvir a foz do Faustão me deixa deprimida. Do Celso Portioli e do Gugu não tenho nem comentários. Nem ligo a televisão pra não ter o desprazer de ouvi-los. A futilidade desses programas dominicais não é pra mim. Eu me desconheço quando mais preciso do meu autoconhecimento. Quando mais preciso da minha força pra poder ir ultrapassando cada dia.
Sinto-me parada no tempo. Parada nas relações, parada na vida. Alguma coisa deve está acontecendo por trás disso tudo. Também, se não estiver, vou me chatear. Porque pô, viver uma vida toda, e a fase jovem, só tomar soco na cara? A fase que talvez eu mais precise ser feliz, pra um dia contar aos meus netos... Não quero contar que fui uma vovó triste e deprimida que escrevia coisas pro blog ás 6 e 30 da manhã de um dia de domingo. Não quero precisar ter esse desprazer. Mas no momento, essa é minha realidade. Esses são apenas pequenos registros do que vem acontecendo há muito tempo. Não apenas dias de domingo, mas quase todos os dias, há todo momento. E meu silêncio, eu estar ignorando quem fala da minha inércia, sábios me falaram que era amadurecimento. Cada um sabe a dor que traz no coração.  
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Por: Ana Flávia Carvalho Borges

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que eu também não entendo

O tempo tá passando. Hoje já são 7. 7 de Outubro. Faltam dois meses pro ano acabar, e eu aqui. Dois meses para o natal, e as lembranças, e os lugares, e as canções, que me levam até você...
É melhor deixar de lado todas as canções que me lembram o passado. Relembrá-las no presente não é algo muito agradável. Faz você sentir as mesmas sensações de antes e assim, consequentemente senti-se mal, com saudade.Saudade só é bom quando dá pra matar. Quando não, prefiro não ter. Apesar de ser incontrolável ás vezes, o melhor é evitar. Só que de vez em quando você acorda pensando e dá uma vontade de ouvir e fazer tudo que te lembra alguém ou uma situação. Aí acabamos colocando as músicas que nos fazem chorar, por mais bregas, horríveis  e sofríveis que pareçam ser. Hoje eu acodei querendo me martilizar mesmo. Ouvindo coisas que me lembram tanto você que chego a me teletransportar pro seu carro, do seu lado, ouvindo junto com você. Isso é errado porque você não merece nem um terço das minhas lembranças. Você não merece que eu chore quando ouça aquela canção, é aquela mesma, que toca no fundo de cada batimento cardíaco e nos faz chorar.
Você merece as músicas que cantamos alegremente para o cara que não vale nada. Mas não vou perder meu tempo falando das coisas que você merece, ia me lembrar muita coisa... E sem dúvidas eu não mereço ter recordações do que não me faz tão bem. Você só me faz bem ao meu lado, sem desgrudar de mim. Me faz mal distante. Se tiver a 5 metros de distância, já me faz mal, porque sei que a qualquer momento pode ir embora. É bom quando está perto, do meu lado, quietinho, afagando meus cabelos, segurando minha mão e dizendo que sempre que ouve aquela música lembra de mim.
Em 3 anos não tem um dia que acordo sem pensar em você. Foram exatamente 1095 dias, talvez dias que perdi ou ganhei, só o tempo irá dizer.. ou não.. porém toda manhã, tarde, e pior ainda, noite, pensando em você. Procurando qualquer vestígio que me leve a saber algo sobre sua vida, o que você tanto faz e até mesmo o porquê dos seus subnicks no MSN. Penso em como seria bom acordar todo dia com você ao meu lado. Cuidando de mim, me protegendo, tendo suas crises de ciúmes  (que eu amava)... Enfim.. Há 3 meses não tenho nada disso. E me pergunto o que deve ter mudado em sua vida para fazer você se distanciar de mim. Será que foram minhas tentativas inúteis de te esquecer? Já não se sabe... Mas você não imagina a falta que me faz. É a falta que a falta faz!
Não quero que considerem essa postagem como uma carta de amor, porque não é. É um sentimento que acordei agora cedo, e tenho certeza que pra quem dedico nunca lerá. Nunquinha mesmo. Você nunca se interessa por nada que eu digo, não vai fazer diferença o que escrevo, então...
Somente para os leitores, que compartilham das mesmas sensações que eu...

Sempre, de todos textos:         Ana Flávia Carvalho Borges 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Álcool e rivotril

Talvez a resolução de todos os meus problemas consiste em esperar o tempo passar. Deixar o vento bater. Ver o mar, o sol e saber que para  que  a minha felicidade chegue eu tenho que esperar  ainda muitos espetáculos do nascer e se pôr.  Talvez meu problema esteja em querer subir 4 degraus em vez de um por um, até chegar onde quero. Não é nada fácil você saber o que tem que fazer, pior ainda, o que deve fazer e não colocar em prática. Dói mais ainda ver o tempo passar, muitas pessoas se afastarem, as coisas mudar menos você. Sinto necessidade do novo. Sei que muitas mudanças ocorrem dentro de mim todos os dias, mas não são vistas agora. Talvez futuramente seus frutos apareçam. No entanto, agora só aparecem podres. E quando aparecem bons, depois apodrecem.
Tenho mergulhado em muitas ilusões químicas ultimamente. Ilusões físicas não, nunquinha. Nem seria capaz depois de tantas decepções, voltar a acreditar nas pessoas e no amor assim tão fácil. Pra mim todo mundo tá mentindo. Posso parecer radical e blá blá blá. Mas o meu lado lunática tá ficando cada vez mais distante. Meu lado boazinha e que acredita no amor também. Mas enfim, voltando ao meu lado ‘ iludida quimicamente ‘, o rivotril tem me ajudado bastante nos ultimos dias. Não durmo muito bem e minha ansiedade está em alta, e pra isso ele ajuda muito. Me dá um sono bom, e regula minha ansiedade. O álcool, não uso muito, pois quando bebo não tenho controle, começo a pensar demais e beber mais.. Pensar de novo, e beber mais.. Enfim, não me faz bem. Tentei seguir a risca a ideia do “ preciso de férias, um porre e um novo amor.” Eu vivo de férias, já tomei porre, e tentei viver um novo amor. E falo que não funciona. Caio Fernando Abreu quando escreveu também deveria está testando. As férias são boas, o porre só é bom na hora, depois passa.. E o novo amor, pra mim atualmente não existe, então estão descartadas as formas de viver na ilusão.
Tem gente que só vive disso. Embebedando todo dia pra no outro embebedar de novo e assim ir superando as dificuldades da vida. Mas esse não é meu lema, pois não quero virar uma alcoolatra nem uma dependente de rivotril pra dormir. Ele me serve quando tô agitada demais e quando quero dormir, apagar, fugir do mundo. Já fiz muita bestaira com remédios pra dormir, mas hoje não faço mais. Digo que nem é por mim, mas pelos meus pais. Mostro felicidade, vontade de viver, estando bem por eles.  Com meu desequilíbrio que já me afeta de forma horrenda, procuro não afetar as pessoas que amo. Já afetei demais, sem querer, eu juro, mas tento todos os dias não envolvé-los mais em nada. Uma hora temos que crescer, minha hora já passou há muito tempo. Pais não podem resolver nossos problemas. Não podem ligar para as mães de quem nos fez sofrer e pedir pra que ela desse uma boa lição. Se bem que seria bom demais. Um simples telefonema, resolveria a vida de todo mundo.
Ih.. Lá vem eu com minha terrível mania de querer sonhar com utopias e coisas infantis. É melhor parar por aqui. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Quem procura acha

Quando eu era pequena e queria muito uma boneca, eu insistia horrores até ter.  Acho que pelo fato de ter sido filha única até meus 7 anos e muito mimada, eu sempre tinha tudo que queria, sem precisar dividir, nem perder pra ninguém. Eu chorava se não pudesse ter, e era simples, meus pais iam lá, compravam, e ficava tudo bem. Queria que as coisas hoje em dia fossem simples assim. Que eu tivesse sentindo algo, pudesse comprar, e já de imediato iria passar. Ou que meus pais resolvessem tudo como sempre fizeram. Mas não, não é assim. No mundo dos adultos tudo é diferente. Eu sinto muita falta de quando as coisas eram mais fáceis, mas não são, são difíceis mesmo. O que mais queremos não depente totalmente de nós, mas de que muitas coisas aconteçam para que a gente possa ter. Só assim, batalhando, e correndo atraz todo dia, quando chegar é que vamos dá o verdadeiro valor, eu acredito. Porque na época da boneca, eu brincava só dois dias, e depois não tava nem aí mais. Não dava o devido valor que a boneca merecia. Hoje me arrependo de algumas oportunidades que me aparecem que não sei  valorizar o quanto merecem. Eu procuro muito algo, luto e passo por cima de todas as barreiras pra ter, e quando tenho, não sou de dá muita importancia. Posso até dá, porém não ajo como se me importasse. Ajo como uma desinteressada, em tudo que faz. Sou sincera, seria hipócrita em dizer que me preocupo com o que devo realmente me preocupar. Eu tenho a  faca e o queijo mão. Mas preciso de uma dose de paciência pra acompanhar esse prato principal. Sem ela não dá pra comer nem desfrutar do queijo. As pessoas não entendem, nem eu mesma entendo.  Talvez todas as coisas que me apareceram até hoje foram dignas da minha desistência, mas talvez não. Nunca se sabe, né? Algumas desistencias são atos de coragem. É melhor achar que foram atos de coragem. 

domingo, 2 de outubro de 2011

Ano 3


Eu li uma vez em algum lugar, o poeta pondo seus sentimentos em escritos como esse, e uma frase ficou em minha mente: “ batalho ferozmente a minha paz” . É eu batalho. Porém tenho que deixar de lado essa minha mania louca de sonhar. Sonha menina, que é de graça. Não tenho que teorizar meus pensamentos, nem devo seguir tal teoria. Ninguém se alimenta de sonhos, nem mata a sede. Eu cansei de sonhar tanto. Cansei de alimentar meus sonhos e deixar a minha realidade faminta. Cansei mesmo de achar que a qualquer momento, do nada, você iria aparecer com seu jeito feroz de ser, buzinando na minha casa e chamando meu nome pedindo perdão ou pelo menos dizendo que queria falar comigo. Fez um ano, exatamente um ano, do meu sonho californiano que durou 4 dias. Parando pra analisar hoje do que vivi, foram quatro dias turbulentos, amedrontadores. Quatro dias com medo de te perder. Quando você aparecia me sentia tão bem que não sei nem explicar. Suspirava e pensava que não tinha perdido pelo menos daquela vez. Vi o cantor tocando violão, e pelo menos naquela tarde as canções de amor faziam sentido pra mim. Porque eu tinha você. Rápido, feroz, mas tinha.
Pelo menos por algumas poucas horas. Depois de dias, acabou. E foi acabando...
Aos poucos. Eu só queria batalhar pela minha paz... deixando de sonhar.
Colocar na cabeça que acabou, porque é uma verdade quase que inexplorável.
E esse quase, que está me matando um pouco todos os dias.
Não sabia que era tão difícil colocar na cabeça que não dá mais pra amar alguém. Mas é. Talvez a coisa mais difícil que pudesse acontecer em relação a sentimentos. E dói. E o silencio que a maturidade me faz ter hoje, dói mais do que tudo. Dói mais do que queda,do que machucado, do que arranhão. É uma dor que não tem explicação. Talvez quando eu chorar, meu choro seja extremamente triste. Vivo adiando essa situação... E cada vez que eu adio, eu sofro mais. Talvez seja melhor eu fazer isso já.
2 min depois..
Não consigo. Meu choro interior é bem pior do que qualquer um.. Espero que ele materialize-se em lágrimas, pra aliviar essa dor.